Do Porto a Washington DC: O testemunho da jornalista Joana Godinho

A Joana Godinho chegou aos EUA através de um programa de intercâmbio cultural da MultiWay. Fez mestrado, estagiou na CNN e acabou por se tornar produtora de informação de uma TV internacional. Já viveu em 4 estados Americanos e visitou mais de 30. É uma apaixonada pela diversidade da cultura Americana. As lições a tirar desta experiência? A jornalista vai publicar em breve um livro em Portugal onde aborda o ABC de como conseguir um emprego no mercado televisivo Norte-Americano. Mas até lá, no próximo dia 6 de Junho, ela vai estar nos escritórios da MultiWay em Lisboa para falar acerca do que é passar um ano nos Estados Unidos. Aparece!

Se há 9 anos alguém me tivesse dito que um dia eu iria correr na maior maratona do Mundo, a New York City Marathon, eu diria “Está tudo louco! Internem-me”. Primeiro porque nunca gostei de correr, segundo porque nunca achei que um dia me mudaria para os Estados Unidos.
Mas mudei! A minha história começou assim: Estava no Porto, com um curso de Comunicação Social e a trabalhar num call-center. Mais uma. Mas eu queria mais para a minha vida. Não desejava passar o meu futuro a lastimar-me. E embarquei, sem saber falar ou escrever muito bem inglês, mas cheia de perseverança de vencer nos EUA durante a pior crise económica desde a grande depressão no século passado.

Cheguei aos Estados Unidos em 2007 através de um programa de intercâmbio cultural da MultiWay. Vivi 3 anos e meio no Midwest americano onde fiz um mestrado em Comunicação na Bethel University e um estágio numa TV local, WCCO (CBS). O Minnesota é um estado conservador, com uma baixa taxa de estrangeiros e fortes valores tradicionais. Confesso que não era fácil quando abria a janela em Maio e via neve a cair de um céu cinzento. Havia a saudade do Porto, da ribeira, do sol. Decidi usar esta experiência para aprender mais sobre a cultura Americana – aprender as diferenças entre os partidos da esquerda e direita, o fascínio pelo exército, o valor do voluntariado, o porquê da saúde ser vista como um privilégio e não como um direito e como é difícil sobreviver ao desemprego nos EUA.

O meu percurso teve altos e baixos, não tivessem os Estados Unidos estarem a atravessar uma das piores crises de sempre. Atualmente sou produtora de informação na CCTV News/America (a versão norte americana da maior estação televisiva de notícias da China) em Washington DC. O meu percurso deve-se à minha perseverança mas também à ajuda dos Americanos que se cruzaram comigo. Os Norte-Americanos são o povo que mais bem recebe estrangeiros. Estarei eternamente agradecida a este país.

Eu acredito que a sorte constrói-se e 9 anos depois continuo a construir a minha e a aprender coisas novas, inclusive algo tão simples como correr. Sempre disse que “não conseguia correr” até que um dia em Washington alguém me ensinou que correr era como a vida, um pé à frente do outro até chegar ao final. Não tão diferente do que tenho feito até agora. E espero então, no dia 6 de Novembro cortar a linha de chegada da Maratona de NYC

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